Me dói admitir, mas você tinha razão: Eu não poderia ter me apaixonado. Não naquele tempo. Não por você. Mas ninguém me ensinou a programar o coração para o timing ideal. E, até onde eu sei, não existe um manual mostrando o passo-a-passo do desapaixonar.

Dizem que a vida segue, mas esquecem de dizer como ela segue. Não vou usar termos como “melhor” nem “pior”, mas “diferente” e, talvez, “improvisada”. Um monte de planos de última hora para compensar os desfeitos – ainda que sem querer e em segredo.

Quem sabe, se tivéssemos ficado juntos, agora, estaríamos planejando onde passar a virada do ano. Ou, se muito apaixonados, onde seria o nosso casamento e quem seriam os padrinhos. Em contra partida, caso tivesse sido esse o nosso destino, eu não teria viajado para o leste europeu nem ido àquele festival de rock.

À época, sua reação foi um golpe. Hoje, percebo que foi apenas uma reorientação de caminho. E que, realmente, a vida continua fluindo… Como um rio. Estou apenas à deriva, deixando ela me levar até sua foz. E quando encontrar um mar, o meu mar, quero mergulhar fundo na imensidão. Na nova água, minha nova fonte, sem medo de me afogar.

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