Fiz 28 anos hoje. E esse aniversário está bem atípico, mas não sei se quero me aprofundar nisso. Cheguei aos quase-30 num redemoinho, com mais peso na balança e nos ombros do que eu queria. Mas cheguei bem, porque tem um monte de gente importante nesse caminhar que não me deixa sozinha um segundo sequer.

Faço aniversário com Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e Marilyn Monroe. Coincidentemente, também é dia da Imprensa. Vai ver eu virar jornalista já era predestinado. 1º de junho é Gêmeos. 10h da manhã é (ou foi?) ascendente em Câncer. Tô chorando até com telemensagem hoje. Emoções a flor da pele, com umas sardas em poesia.

E, falando nisso, essa semana terminei de assistir “Anne with an ‘e’“, um seriado lindo da Netflix. (Eu juro que os dois assuntos, aniversário e seriado, tem um coeficiente em comum).

Anne é uma órfã que chega a fazenda de Green Gables por engano, mas que acaba conquistando os irmãos Mirella e Matthew e fica por lá. Claro, não foi tão simples assim, mas não vou estragar a história, porque eu recomendo fortemente esse seriado.

Anne é uma poeta nata. Romântica. A não ser pelo cabelo ruivo e corpo magrelo, eu sou exatamente como ela. Ou já fui… Minha Anne foi ficando pelo caminho dos 28 anos. Quando eu tinha a idade dela, também escrevia poesias. Andava com um caderno para cima e para baixo, para não correr o risco de deixar as palavras fugirem pelo vento.

Anne, o seriado, é delicado. Ingênuo. Narrado por uma menina 13 anos que adora ler. Anne, a personagem, é intensa, cheia de imaginação e inconformada. Não se conforma com o fato de não poder fazer coisas na fazenda porque é menina. Não se conforma que terá que se empenhar para ser apenas a esposa de alguém. Não se conforma que um lago bonito não tenha um nome à altura.

 

Desde que comecei a escrever, ela (minha Anne) foi parcialmente recuperada. Ou vem se recuperando. Mas eu sinto falta de quando a vida era poesia. Acho, na verdade, que ela ainda está por aí, zanzando com seus versos livres, bárbaros e alexandrinos. Mas como se recupera um soneto?

Cheguei aos quase-30 com sonhos de mais e maturidade de menos. Talvez isso seja a prova de que Anne ainda está por aqui. Risonha, intensa, com suas sardas e palavras difíceis, pegando flores silvetres para por no chapéu sem graça.

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