Quando eu era pequena, queria morar em uma casa na árvore. Escolhi a que achei ser ideal e mostrei para o meu pai. “Ali, naquela! Vai ser bem legal, dá até pra fazer uma ponte!”. Claro, eu falava sob a perspectiva fantasiosa de criança. Sob a perspectiva da engenharia, o projeto nunca seria possível. E não foi.

Poucos anos depois, achei o máximo quando vi, num filme, uma garota e a mãe morarem num antigo prédio do Corpo de Bombeiros. Ainda tinha aquele cano que os agentes usam para descer quando toca a sirene. E a menina morava no último andar. Era uma mansão toda adaptada para as duas.

Quando chegou a fase do início da independência, quis morar sozinha. Arrumar um apartamento, uma quitinete que fosse, só para ter um lugar para chamar de meu. Mas o salário de estagiária não faria nem cócegas nas contas que eu iria arrumar.

Com a formatura e aumento de renda, quis mesmo é ir morar fora do país. Estados Unidos, Canadá, Austrália, onde Deus quisesse. Eu iria. Faceira e com muita disposição nas caixas de mudança. Claro que não demorou muito para a realidade, o juízo e, confesso, até o medo baterem para eu resolver ficar pelo Brasil.

Com o passar do tempo, o destino se encarregou de me levar para outra cidade, com novo emprego e, enfim, uma casa. E no meio dessa nova fase, achei você. Que me guarda em abraços ao invés de paredes. Que me dá muito mais que teto, mas um abrigo todo. Que me dá felicidade em forma de beijos.

Não demorou para eu querer me mudar e morar em você, meu verdadeiro lar doce lar.

 

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