Amor nunca foi muito a minha praia. Se eu parasse para contar as minhas histórias, você – provavelmente – prepararia suas melhores palavras de conforto. Certa vez, ao desabafar em um ombro amigo, ouvi: “Olha… Acho melhor você esperar um pouco. Não insiste nisso por um tempo”.

Eu realmente poderia desistir temporariamente. Largar mão dessa busca pela “cara metade” (se é que isso existe mesmo). Deixar a vida me levar e, em uma esquina, topar sem querer com o cara menos errado, porque encontrar o “certo” é querer demais. Mas, sabe como é, “sou brasileira”…

Persisti nessa história por mais de uma vez. Às vezes, errei feio logo de cara. Noutras, durou um pouco, mas não demorou para perceber que, de novo, não era aquilo. Umas foram mais especiais e, portanto, mais doídas que outras. Vivi de altos e baixos, mas nunca atingi o ponto máximo de uma paixão, paixonite ou amor. Até que, um dia, ele chegou de mansinho.

Vai ser clichê, mas vou dizer mesmo assim: Ele estava ali o tempo todo, embaixo do meu nariz, e eu não percebi.

Acredito que o amor seja tímido – pelo menos o meu. Sei de casos em que o amor chegava com todas as extravagâncias possíveis, tapete vermelho e cornetas entoando “Your Song“, do Elton John. Mas o meu… Ah, ele é mais discreto.  Sensível. Medroso. Ele se camufla em amizades, o danado. Fica por trás de gentilezas. Vira sombra de palavras doces. Sempre em segundo plano, esperando ansiosamente pelo momento ideal para vir à tona.

Quando ele chegou, veio em forma de abraço. Hoje é um mutante, que se transforma em risadas, silêncios, canções, danças atrapalhadas, olhares e piscadelas. Aí eu vejo que eu estava errada: Não é que “amor não fosse a minha praia”. Eu é que estava, todo esse tempo, na praia errada.

 

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