Eu achei a sua frequência. Já aprendi a te sintonizar e deixar nossas lembranças tocando sem intervalos comerciais ou ruídos. É você, em claro e bom som. Somos nós e nossas risadas. É a nossa música. São os nossos suspiros e gemidos. São meus tesouros.

A noite, antes de dormir, deixo as memórias tocando em replay até eu dormir. Às vezes, foco nas que eu mudaria, como aquela discussão besta na noite do meu aniversário. Noutras, repriso as favoritas e intocáveis, como o nosso primeiro beijo.

O que dói nessa história toda é saber que tenho lembranças lindas, cheias de companheirismo, amizade, toques, olhares… Mas nenhuma sobre amor. E poderia ter havido se não tivéssemos sentido medo do tamanho que poderia ficar.

lorazombie_cerejanoombro

Não era pra você ficar tão grande. Essa sempre foi a ideia, mas você estava contornando esse bloqueio previamente imposto. Então, antes que você terminasse o desvio, eu saí (às pressas), até porque eu jamais conseguiria a mesma façanha.

E agora, estou aqui: ouvindo nossos momentos e tentando não sentir falta do que poderíamos ter sido. Tentando não me arrepender nem criar projeções nossas, ainda juntos.

Preciso me convencer de que foi o que foi e não teria fôlego para ser mais. Preciso acreditar que foi a decisão correta… Mas o que eu preciso, preciso mesmo, é  criar coragem para mudar a estação e te deixar no mute. Nem que seja para ouvir ruídos.


*A imagem usada neste post é da ilustradora Lora Zombie. 

Comments

comments

Powered by Facebook Comments