*Texto da leitora Luciana Ferreira, do blog Essa Vida Linda

Vem, entra. No carro da minha vida, o porta malas é grande. Cabe seus anseios e medos que descarregaremos no percurso.

Vem, entra. Estou levando minha bagagem de sede de experiências. Quando faltar em você, não se preocupa, empresto uma peça minha.

Vem, senta. Passa o cinto e entenda: não sei ser o tempo todo passageira nesse veículo. Aceita um pouco minha E.P., com componente masculino, como aceito a sua mulher. Que cuida, adota, planta.

Vem, aprecia a paisagem. Esta estrada é tão linda… Tem esquilos serelepes, borboletas que entram pela janela. Sim, nada de ar condicionado. Se integra no Universo comigo. Abre o teto solar, pro astro-rei nos acompanhar.

Ei, relaxa. Inclina o banco, recosta essa cabeça exaurida. Tira um cochilo gostoso ao som de “O que eu também não entendo” e vamos chamá-la “nossa música”.

Vem comigo nessa estrada, onde sou banho de cachoeira no dia tórrido de sol. Chalé charmoso com lareira no rigor do inverno. Varanda repleta de flores por toda a primavera. Fruta suculenta de outono. Varal permanente de poesia e pintura surrealista.

Vem, deixa pra trás o carregador de fardos. Para ser viajante merecedor, aceita não ter resposta sempre. Para e pede informação. A matemática da vida inclui divisão.

Vem, embora eu não venda ilusões. O tempo pode virar, chover forte, nevar. Nada demais, é só irmos devagar. Meu mapa de chegada traz manias e expectativas, contudo estou sempre aberta para trilhar outras vias que deem no mesmo destino. E este, a qualquer momento, pode ser consensualmente revisto.

Vem, racha comigo o pedágio da coragem. Acompanha as placas para não nos perdermos. Me adverte, porque gosto de correr. Porém, fique seguro, querido. Jamais nos colocaria em perigo.
Mas não está livre, essa sagitariana desastrada, de amassar um retrovisor na baliza.

Vem, que na estrada da vida sou co-piloto. Aventureira prudente. Turista do campo, praia, montanha
e demais paisagens, onde queira levar nossa intimidade.

Vem, meu lindo. Antes que seja tarde.

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