Eu não estou dormindo a noite toda por causa da ansiedade. 80% dos meus sonhos envolvem casamento e alguma situação ridícula, do tipo: esqueci de comprar o sapato de noiva e vou ter que usar minha rasteirinha quase-gladiadora toda surrada.

Ontem terminei de fazer a limpa nos meus armários. Separei sacos e mais sacos de roupa para doação. Sapatos. Almofadas. Bijuterias. Cintos. Bolsas. Tudo que não vai, mas que também não merece ficar mais.

Tive que me desprender de todo apego emocional na separação das roupas. Aquelas bonitinhas que vieram de viagens e estavam no armário só por esse motivo. Por esse lado, foi bom. Libertador até… Não sei porquê guardamos tanta coisa. Achei até bilhetes de entradas de parques. Livros de teoria musical e de dinâmicas em grupo.

No meio da arrumação (ou ‘desarrumação’?), me peguei pensando: como é engraçado o curso natural da vida. De repente, a casa onde eu cresci e me criei vai se tornar “a casa dos meus pais”. Ando meio nostálgica, eu sei. Mas acho que não tem como não ficar vendo sua vida inteira sendo separada em caixas de mudança e de lixo.

Outra coisa que vai doer: Margot vai ficar em casa. Aliás… na casa deles. Não vou separá-la da Milly, muito menos privá-la do espaço para prendê-la num apartamento onde ficará sozinha. Pela primeira vez em 27 anos, não terei companhia canina diária.

Não vou nem citar meus pais, porque choro só de pensar. Quando eu era pequena, eu, minha irmã e minha mãe dividíamos a cama dos meus pais até dormirmos. Meu pai vinha nos buscar e, muitas noites, eu fingia que estava dormindo só para ele me levar no colo até o meu quarto.

Droga, já estou chorando.

Mas não pensem que estou triste. Pelo contrário! Estou muito animada com a mudança. Só fica esse pesinho no coração, mas estou pronta. É natural, eu acho, ficar assim, nostálgica. Ansiosa. Noiva prestes a mudar o status para “casada”.

Que venham novas caixas para serem preenchidas. Que venha a nova vida.

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