Ela estava lá.
Ele também.
Divertiam-se, separadamente.
Esbarraram na bandeja do garçom,
deixaram seus copos,
e voltaram a dançar.
O amor ainda não estava pronto.
Se guardou, tímido,
com medo de sair precocemente da toca.

Engraçado como o mundo dá voltas
e tornaram a se encontrar anos depois.
Conversavam todo dia.
Riam das mesmas piadas.
Mas o amor, ah, esse ainda não estava pronto.
Fingiu estar ausente.
E deixou manifestar apenas
a afinidade pelo gosto musical.
Ele já se embalava nas baladas inglesas,
Mas amor, amor mesmo,
não saiu para dançar.

Até que veio o primeiro beijo
E o amor, que ainda não estava pronto,
Já não tinha mais tanta certeza de que queria esperar.
Passeou pelos toques,
Pelos arrepios,
Pelos lábios,
Para saber se já era hora.
E, quando decidiu,
Já haviam se separado.

Foi aí que ele começou a agir.
Mexeu nos sonhos,
Invadiu composições,
Textos e poemas.
Veio em forma de saudade
e desejo.

No outro encontro,
já não teve dúvidas: “É aqui que vou ficar”,
e saltou no ar até abraçar os dois corpos.
Segurou firme, juntos os dedos para
que não se desatasse.
Fechou os olhos em esforço.
E, quando percebeu,
já não precisava mais de tanta força.
Eles permaneceram juntos,
sem dificuldades ou luta.
E o amor, que se julgava não estar pronto,
viu que queria aquilo já fazia muito tempo.

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