Senti que havia algo diferente assim que acordei. Não sei por que, mas minha reação (num desespero ainda sonâmbulo) foi verificar se todos os membros continuavam presos ao corpo. Decidi que era coisa da minha cabeça e levantei da cama.

Parecia que aquele andar não era meu. Tinha algo muito diferente naqueles poucos minutos de dia e eu não sabia dizer o que era.

Tomei banho sem cantar embaixo do chuveiro. Não deu vontade… Me arrumei sem pensar muito nos detalhes. Saí de casa para o trabalho sem esquecer nada. E aquela sensação me seguia.

As horas já estavam avançadas na tarde e eu não tinha derramado nem uma gota da café na mesa. Também não me incomodei com o silêncio nas caixas de som do computador…

Fim de expediente, hora de ir pra casa. Sentei no sofá em frente à TV, procurando algo para assistir. Passei por todos os canais três vezes. Nada. Absolutamente.

Algo faltava e não importava o que eu fizesse, coisa alguma sabia substituir esse misterioso item ausente.

Chega!”, pensei. Andei pela casa para pensar o que poderia ser aquilo. Por que a cabeça está tão estranha e impecavelmente no lugar? Por que estava tão perfeitamente no eixo quando o normal é uma pessoa distraída? E, então, a resposta: eu não tinha pensado em você.

Para quem dedicaria a canção no chuveiro? Quem seria o protagonista do meu pensamento para me fazer esquecer os óculos em cima da mesa? Quem é que me deixa sem reação e faz eu esbarrar as mãos na xícara de café? Só aí percebi o quão presente você é no meu dia, ainda que não te veja.

O dia em que não pensei em você me fez perceber como é sem graça não ter alguém que faça dos pensamentos, reféns.

No dia em que não pensei em você, apenas existi.

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