*Texto do leitor Alexandre Martins, publicado originalmente no blog Aros Redondos


Está chovendo lá fora. Não, não é qualquer tipo de chuva, é esta chuva que cai fininha do céu, bem lentamente, como quem se estende até o próximo fim de semana. A sensação é maravilhosa, faz lembrar da infância, nos acrescenta sono, e como presente, o cheiro de poeira molhada no ar. Imagine você o trabalho que cada minúsculo gotinha tem antes de cair centenas de metros a uma velocidade extraordinária para… morrer!

Quanta sensibilidade numa garoa. Quanta imponência num dilúvio. É interessante que, quando chove, algumas pessoas ficam enfurecidas e raivosas, outras perdidas e presas, mas eu, eu me solto. Gosto de sentar em frente à Tv e ver algum filme que faça rir ou chorar, comer pipoca e ter uma boa companhia. A melhor parte é a companhia, como foi há alguns dias com outro alguém.

Sozinhos ou acompanhados, somos parte da natureza como tudo o que dela nos cerca. Por isso sentimos quando as coisas vão bem ou não, com as pessoas ao nosso redor estão; já ouviu falar em “o clima pesa”? Conectados, criadora (a Mãe-Terra) e criatura compactuam das mesmas identidades que as conectam, como a chuva.

Algumas chuvas nos lavam a alma, arrancam-nos as impurezas de um amor não correspondido, de um sonho não alcançado ou de uma mentira desmentida. Outras, aproveitam do espaço vazio para preparar um novo solo-coração, que receberá com a chegada do arco-íris novas sementes capazes de transformar o que antes era negro e frio em algo quente, colorido e fértil.

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