São muitas mudanças de uma vez só. Emprego, casa (ainda a confirmar, mas em breve…), um novo afilhado. E eu ainda naquele estado amortecido. A euforia do momento passava e o vazio aqui dentro ainda reinava.

Até que surgiu uma situação em que eu explodi em fúria. Raiva mesmo. Chorei sem parar a ponto de não conseguir dirigir. Eu queria bater em alguém. Foi muito intenso. Até me assustei porque não sabia que eu tinha isso em mim.

Passado o episódio, coloquei a mão no coração. Ele voltou a bater. Descompensado. Rangendo. Desafinado, mas batendo. Engraçado, mas, depois, eu fiquei feliz por ter ficado enfurecida, porque me mostrou que “o pulso ainda pulsa”.

Eu precisava disso, porque, até então, eu havia chorado só a tristeza, mas a frustração, a incompreensão, a raiva, enfim, a parte feia do luto ainda estava soterrada nos escombros. Agora, ao que me parece, tudo limpou. É hora de começar a reconstruir, efetivamente.

Vi o tanto de peso que eu trago nas costas e parece que só tem mais dele chegando. Eu não preciso levar tudo. Eu não devo… Cheguei à conclusão de que eu preciso descarregar antes de recomeçar a carga – e todo começo deve ser leve. Ninguém chega a academia levantando 20kg.

Cansei das coisas só serem empilhadas em mim. É hora de separar joio do trigo e entender o que eu posso deixar pra trás. Quais dores, quais preocupações, quais culpas. A minha mochila não precisa ser maior do que eu acho que posso aguentar.

Na verdade, agora, por favor, me deixe só com uma malinha de mão – com rodinhas.

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