No começo do ano, eu e outros colegas de equipe passamos a fazer parte da equipe de Marketing do Foz Cataratas Futebol Clube. Foi um susto, confesso, porque eu não curto futebol (só durante a Copa do Mundo). Mas, vamos lá! Desafio aceito.

O primeiro passo foi aprender sobre o time. O Foz é pentacampeão paranaense e campeão brasileiro (2011). Além de ter conquistado o terceiro lugar na Libertadores. Também tive que aprender um pouco da história de que todo clube brasileiro precisa ter uma equipe feminina e, por esse motivo, o Foz, agora, também é meio Coritiba. Esses títulos são fáceis de gravar e repetir. Mas eu ainda não havia entendido o que era o futebol feminino.

Não é só jogar bola, não. Não é só fazer gol para conseguir bons resultados e, quem sabe, um pouco mais de reconhecimento. O futebol feminino exige muitos sacrifícios. Muitas meninas deixam suas famílias para se dedicar a um esporte (e a uma profissão) que amam. Mas é difícil você largar mão de tudo para seguir um sonho que está totalmente inserido na cultura machista.

Elas treinam todos os dias, de manhã e a tarde, com poucas folgas. Algumas ainda estudam a noite. Elas tem que aguentar a dor da saudade e das lesões. A dor da pressão nos ombros. A dor de ouvir: “Lugar de mulher é na cozinha“. Minha conclusão é que elas não são só jogadoras. São verdadeiras fontes de força.

No dia 08 de março foi o dia de eu vê-las em campo pela primeira vez. Era um amistoso para comemorar o Dia Internacional da Mulher. Incomum, não? Sim. É isso que queremos. É isso que buscamos: mulheres em campo, em estádio, onde podem, sim, apreciar um bom futebol (disputado por guerreiras).

O segundo jogo já era coisa séria. Segunda rodada do campeonato brasileiro, contra o Ferroviária de São Paulo. E eu, que só curtia futebol em época de mundial, me vi na grade durante o segundo tempo, gritando palavras de incentivo para as meninas – que eu já sabia por nome. Minha família estava lá também, inclusive minha sobrinha e minha afilhada, as duas com três anos. E foi tudo bem..

Não foi (só) o esporte que me envolveu. Aliás, não só a mim, mas mais um tanto de gente… Foram elas. As jogadoras, verdadeiros exemplos de batalhadoras e, ao meu ver, vitoriosas. E nem estou falando pelos gols.

Já fico ansiosa com as partidas que estão por vir. Domingo agora (26) jogaram fora de casa e eu ficava olhando o celular a todo momento para ver se alguém já havia postado alguma novidade. Essa angústia de não saber também é resultado da falta de interesse da grande mídia em transmitir as partidas, mesmo sendo oficiais pela CBF – o futebol feminino ainda é considerado amador. Mas amadorismo seria se fosse eu jogando… Enfim, a discussão nesse tópico iria longe demais.

Encerro essa confissão com um convite: venha ao estádio. Envolva-se também. Torça. Vibre. Grite. A adrenalina e energia que elas emanam é indescritível. E a nós, só resta sentir e querer mais.

Comments

comments

Powered by Facebook Comments