O primeiro amor a se despedir de mim foi o do Gustavo. Eu tinha 13 anos – os amores infantis não contam nessa lista de despedidas. Ele disse que me achava legal, mas me “amava só como amiga“. Aquelas desculpinhas difíceis de digerir, que a gente fica ruminando por um bom tempo, repetindo as palavras “amiga, amiga, amiga”.

No ano seguinte, foi a vez do amor do Rogério. Aproveitamos um tempo legal, andar de mãos dadas (escondidos) no colégio, burlar as regras, fugir de inspetores. Até que, em um intervalo, ele veio com a suposição: “Você quer algo sério e não estou pronto pra isso“. E lá se foi no meio dos tantos meninos do segundo ano. Nunca mais o vi pelo pátio.

O terceiro amor foi sério e com duas despedidas. A primeira delas, depois de alguns anos juntos, o Marcelo disse: “Eu fiquei com outra garota”. Meu coração partiu em dor e ódio. Voltamos um mês depois, mas eu ainda não havia aceitado bem a situação. As palavras começaram a se misturar na minha cabeça: “amiga, fiquei com outra, amiga, amiga, outra“. Resolvi que era a primeira vez de me despedir, sem voltar atrás dessa vez.

A despedida seguinte foi a mais dolorida, com certeza. Novamente, por iniciativa minha… Às vezes me pergunto se tomei a decisão certa, porque não sinto totalmente a sensação de “caso encerrado” como nas outras vezes. E, mesmo sem ter mais contato, acho que o Felipe pensa o mesmo. Talvez alguns “adeus” não deixem essa estranheza de “nunca mais vamos nos ver”. Algo meio Rachel e Ross ou Ted e Robin..

Mas aí veio você que, seguindo o sentido contrário dos outros, me diz “Oi, amor” todos os dias. E, quando chega a hora de ir embora, logo complementa: “Não é adeus, é só até logo. Até amanhã. Até eu dormir, porque vou te encontrar nos sonhos“.

Você é o amor que não se despede. É aquele que diz que vai ficar – e fica.

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