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Quem é a autora do Blog?

Sou a Leca Lichacovski, Jornalista. Blogueira. Vocalista da Banda Gonzales. Sarcasticamente engraçadinha. Talvez você vá com a minha cara, talvez não.

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3 lições de um relacionamento à distância

Namorar já não é fácil. Quando é à distância, então… Eu também fazia parte da turma que dizia que “namoro à distância não é pra mim”. Mas a gente não pede por algo assim. A gente cai num relacionamento e, quando vê, um dos dois tem que ir embora. Para ter uma ideia melhor, assista “Amor à distância“, com Drew Barrymore e Justin Long. Ou, ainda, “Ponte Aérea“, com Caio Blat e Letícia Colin.

No meu caso, deu certo por cinco anos. É, tudo isso. E eu consegui aprender algumas coisas com essa história:

1.    É preciso saber viver
Já ficou a voz dos caras do Titãs martelando a sua cabeça, né? Ótimo, assim você grava essa lição. O que eu quero dizer é que, apesar de eu cá e ele acolá, a gente precisava viver normalmente. Isso quer dizer trabalhar, estudar e, sim, sair. Tem gente que condena, que diz que é ciumento demais para isso. Mas essas saídas com seus amigos podem salvar seu relacionamento – e suas amizades. A vida não pode parar na ausência do outro. Isso também é um exercício de confiança. Namoro algum resiste sem ela, muito menos os que estão longe.

2.    Datas especiais não são tão especiais assim
No começo, eu detestava o fato de nunca poder comemorar datas especiais ao lado dele. Aniversário, Dia dos Namorados, aniversário de namoro. Mas, depois de algum tempo, passei a ver que datas especiais eram aquelas em que ele vinha para cá. Essas outras, troquei e passei a chamar apenas de “datas comerciais”. Não deixe que elas sejam mais importantes que a presença e que a entrega de presentes seja o significado mais forte para vocês.

3.    Ciúme é normal; surtar, não.
Claro que, quando saímos com amigos, vai ter fotos. E, como é de se imaginar, você não vai conhecer os amigos dele ou dela, já que nunca conseguiram se apresentar pessoalmente. Nem todas as fotos vão te agradar – e nem precisa ser algo comprometedor. Vai doer um pouquinho, sim. Aquela curiosidade em saber quem é aquela/aquele. Mas é aí que você deve parar. Não vale a pena ficar apertando essa tecla, insistindo, imaginando se rolou algo ou não. Confiança, lembra?

EXTRA

4.    Não sufoque
Não é porque vocês estão à distância que vale ficar mandando mensagem a todo momento. Isso cansa. Fica chato. Sufoca. Conversem diariamente, sim, mas determinem um horário e, então, se falem. Se falem por horas. Tirem o atraso do dia. Mas, a menos que seja algo importante, whatsapp a cada cinco minutos. Você não faria isso se morassem na mesma cidade, faria? Desapega, mas não negligencie.

Confiança é a palavra chave. Confiança em quem está lá e no seu taco. Se isso estiver bem, o resto se ajeita.

Textos

Quero alguém

Quero alguém que não queira me completar, mas complementar até as minhas ausências e falhas. Alguém que saiba que não vou suprir todas as necessidades, porque sou apenas humana.

Quero alguém que me ame não “apesar” dos meus defeitos, mas com todos eles. Que aceite me mudar, não por conveniência, mas porque notou o meu pedido silencioso de socorro.

Quero alguém que tente me alegrar sem a necessidade de palavras, mas com abraços, carinhos e beijos na testa, bochecha, mãos, pescoço e lábios.

Quero alguém que não me faça esquecer minhas feridas, mas que me dê coragem para arriscar tudo de novo.

Quero alguém que não queira me impressionar com grandes feitos, mas com boas ideias e perseverança para torná-las reais, ainda que sem sucesso.

Quero alguém cujas conversas durem horas, mas que também saiba compartilhar momentos de silêncio sem ser pesado ou estranho.

Quero alguém que saiba inglês e tocar violão, porque eu gosto de imaginar o amor em várias partes do mundo. O instrumento é para levar a esses lugares.

Talvez eu queira alguém inexistente ou super idealizado. Talvez eu tenha que fazer algumas concessões para facilitar o encaixe. Talvez esse alguém esteja perto ou do outro lado do mundo. Mas eu quero alguém que faça valer a pena esperar.

Textos

Eu não te amo, mas sempre vou te amar

Lembra quando a gente saía meio sem juízo pelas ruas, cantando Kansas de madrugada, incomodando quem dormia? Eu te amava ali. Naqueles risos idiotas e sem sentido, mas de sinceridade única.

Quando lembro esses nossos momentos, o coração fica pequeno em saudade. Você ainda gera aquela pulsada levemente mais forte. Um leve reboliço aqui dentro, enquanto mergulho em lembranças dos nossos dias bons.
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Textos

Não vou me desfazer de você

Eu prefiro ficar calada porque não sei quais palavras irão sair da minha boca. Se serão raivosas, tristes, confusas ou tudo isso misturado. Prefiro arriscar que você traduza os meus olhos. Você já foi capaz disso… Sabia entender quando eu o queria. Quando eu precisava de você. Até quando eu queria sair daquela festa chata da minha família.

Você costumava me entender antes de mim mesma. Era como se tivesse meu manual de instruções – o qual eu nunca consegui a cópia. Mas as coisas não se acertam mais sem longas discussões. E algumas vezes não chegamos a conclusão alguma. Será que eu mudei tanto assim para você ter perdido a facilidade em ler meus pensamentos?

Talvez eu precise de um tempo para me encontrar – e, talvez, achar você em mim novamente. Mas não culpe ninguém se isso não acontecer, e eu tentarei fazer o mesmo. Porque essas coisas escapam das nossas responsabilidades. Eu não queria te perder, mas no meio da confusão, soltamos as mãos. E, acredite, eu estava segurando firme. O mais forte que podia.

O que me assustou não foi ter ficado sozinha. Foi eu não ter sentido medo, porque eu sempre me senti muito dependente de você. E, de repente, me vi andando com os próprios pés, seguindo a minha própria razão e o caminho que acredito ser melhor para mim. Eu só não sei para onde. Talvez seja para você. Mas talvez seja para longe. E só vou saber se continuar.

No caso de não nos encontrarmos mais, só quero que saiba que eu amo você e a história que construímos juntos. Meu amor por você se transformou em recordação, dessas que exibimos na estante e guardamos com carinho. Não vou me desfazer de você. Mas também não consigo mais te levar comigo.

Textos

Bloco do eu sozinho

Eu já atravessei um oceano sem ninguém ao meu lado, a não ser a cara e a coragem. Fui a um país com idioma, cultura e costumes totalmente diferentes. Aprendi a ler mapas, a me virar para entender o que diziam e até a pedir socorro quando a situação mudou um pouco.

Deu medo. O frio na barriga começou quando paguei a primeira parcela da passagem aérea, para apenas uma pessoa, mas eu estava disposta a tentar. Não teria nenhum rosto familiar me esperando, só uma pessoa da imigração não muito simpática.

Eu viajei sozinha e não voltei a mesma pessoa. Experiências com a gente mesmo como companhia nos faz entrar em contato com um lado nosso que, até então, não conhecíamos – porque nunca houve a necessidade para tal apresentação.

E quer saber? É algo que eu indico para todo mundo. Homem ou mulher, não importa. Viajar sozinho é uma escola de autoconhecimento. Eu precisava disso, porque eu era daquelas que acreditava fervorosamente de que “é impossível ser feliz sozinho”.

Não é.

Comecei grande para apreciar as pequenas coisas sem ninguém por perto. Ir ao cinema. Tomar um café, uma cerveja ou um vinho. Cozinhar algo bem bacana só para mim. Ir a um restaurante que eu gosto muito. Fazer compras.

Isso tudo só com a minha própria opinião, palpites e roteiros. Criar meus horários, temperos e até começar pela sobremesa se eu bem entender. É um dos prazeres mais singelos que se pode der: gostar da própria companhia e nem ligar se houver olhares ao redor com um quê de “pena”. Eu é que tenho pena de vocês que não sabem o que é curtir esses momentos sozinhos – mas não solitários.

O que você tem vontade de fazer? Por que não o fez ainda? Te desafio a abandonar a necessidade da dependência de alguém. Vá e faça. Jogue-se na aventura do “bloco do eu sozinho” e faça desse um carnaval melhor que todos os outros.

Textos

Eu já sabia que você iria

Não me pergunte como, mas eu já sabia que você iria. Eu sentia na alma, talvez. Nem eu sei explicar, mas não foi surpresa quando você expôs sua decisão. Foi nesse momento em que a realidade desabou sobre a minha cabeça. O ponto chave em que a suspeita se concretizou em verdade.

Mesmo não sendo surpresa, doeu como adaga cravada no peito. Suas palavras saíam em câmera lenta dos lábios. Era como se eu estivesse em outra dimensão, assistindo a cena como espectadora. Não sei se não consigo ou se não quero te olhar nos olhos…

Você não vê a minha batalha interna para não ficar brava e gritar com você. Se eu abrir a boca para dizer qualquer coisa agora, não responderei por mim. Tô tentando me controlar, me conter, ser racional. Ouvir os seus argumentos, mas nenhum parece fazer sentido. Mas a lógica tem vez nessas horas?

Eu parei de ouvir. Você continua na minha frente, gesticulando, chorando, mas eu só consigo prestar atenção no nosso filme que insistiu em ser projetado agora. Talvez seja uma tentativa de encontrar os sinais que perdi… Erros, falhas, negligências. Está em algum lugar aqui, eu sei. Será que algum é reparável?

Voltei à realidade em tempo de te ouvir chamar meu nome carinhosamente pela última vez. A partir deste momento, eu seria apenas uma menção qualquer para você. Fui colocada no mesmo patamar de uma professora da 1ª série. De um vizinho na época da faculdade. Eu virei só um nome e você, cicatriz.

Textos

A culpa não é sua

Diferente do que você ouviu, a culpa não é sua. E lá no fundo, você sabe disso. Você sabe que vermelho é só mais uma cor de batom – que cai super bem no seu tom de pele, inclusive. E você pode, sim, usar a hora que bem entender.

Ao contrário do que dizem, você não foi irresponsável a colocar essa pessoa sob o mesmo teto. Ela já aprendeu a esconder muito bem a parte podre do caráter e a violência já cravada na podridão da alma.

A culpa não é sua por não ter percebido isso. Não dá para adivinhar quando é lobo em pele de cordeiro. E nada justifica a aparição do monstro outrora oculto. Você só foi tomar um chope com as amigas e não há maldade nenhuma nisso. Você não precisa nem deve ficar só em casa.

Não acredite quando apontam e dizem que você pediu por qualquer retaliação. Sua roupa não te fez merecer quaisquer atrocidades. E você só estava sendo simpática com o vizinho. Você não é puta nem vagabunda.

A culpa não é sua se a mão que te fez carinho ontem virou em soco hoje. A culpa não é sua se essa pessoa te vê como um objeto de posse. Você é sua e de mais ninguém. A doença está no outro. O mal está no outro.

Moça, quero te pedir que arranje forças e coragem para sair daí. A culpa não foi, é ou será sua por cair fora. Diferente do que ouve, você será amada se for embora, porque você é bonita com todas as suas imperfeições, mas muito mais linda por ser guerreira.

Textos

Você não precisa ser igual

*Texto publicado originalmente no Medium

Há uns dias, no Snapchat (LecaLichacovski), vieram me pedir dica de estilo. Me surpreendi, fiquei feliz, lisonjeada. Mas a conversa tomou outro rumo, para algo que, eu sei, que realmente veio de mim: encontrar-se. Estilo e moda estão erroneamente ligados.

Estilo é o jeito que eu me sinto e quero transmitir.

E isso é bem mais difícil que usar a última tendência.

Quando a gente não sabe quem é, seguimos o padrão, por ser mais acessível… Mas nem sempre (aliás, raramente) a gente se encaixa. Loira, cabelo longo com ondas, alta, magra, perna fina e olhos claros. Eu não sou isso. Nem tenho como ser, por ter um biótipo extremamente diferente.

Mas é tanta imposição de padrão que, eventualmente, a gente fica mal. Eu tentava mostrar que estava bem por não ser igual através de uma fase adolescente rebelde, com bandana, muita roupa preta, pulseiras de spikes e correntes. Abracei o punk como fachada. Mas por dentro, na minha cabeça, a coisa era bem diferente.

Foi surgir o primeiro problema para toda essa falsa fortaleza desmoronar. Minha primeira paixonite de colégio me deu pé na bunda e, obviamente, a culpa era minha por ser feia, desengonçada. Fora do padrão. E isso me marcou.

Foram mais de dez anos para eu começar a me sentir bem de novo. Para o sentimento de “você é toda errada” começar a dispersar. E foi sem querer. Um belo dia, após o término de um noivado, decidi que iria cortar o cabelo. Curtinho. Não queria mais saber daquela coisa desgrenhada que vivia presa num coque vagabundo.

Quando me vi no espelho sem os cachos, eu me vi pela primeira vez em anos. Aquela era eu. Era como eu me sentia. Leve. Minha personalidade, enfim, estava conseguindo espaço na minha aparência. Eu já não me sentia mais a mesma e isso foi libertador. Um corte de cabelo foi o meu gatilho para a autodescoberta. Eu tinha 23 anos.

Passei a curtir as novas madeixas. Aprendi a me maquiar e o estilo de maquiagem de que gosto (batom escuro e rímel leve). Comecei a entender quais roupas me faziam sentir bem. Qual o corte de blusa e tipo de calça que não me faziam sentir vergonha das pernas mais grossas. Voltei a cuidar do corpo (atividade física e alimentação mais balanceada).

Ainda não é todo dia nem a todo momento, mas já consigo olhar no espelho e me achar bonita — no meu jeito. Sem querer ser igual ao que dizem por aí. Aliás… “impõem por aí”. E justamente por ser tanta imposição que essa tarefa é um desafio diário. Sentir-se confortável por não ser o que mandam por aí requer coragem. Mas deixa eu falar:

Não há preço que pague o que é se sentir bonita e poderosa ao sair a rua do jeito que você aprendeu e aceitou ser.

Talvez eu ainda não seja minha melhor amiga. Talvez eu ainda não consiga dizer que me ame, mas falar sobre isso abertamente já me faz tirar um peso das costas. Você não precisa ser igual. Não há nada de errado nisso. Mas é algo que só você pode decidir e mudar. Encontrar-se é sua missão para ser feliz. Esse, sim, é o amor que você precisa.

Textos

Eu não tenho mais medo

Boa parte desse caminho não é novidade para mim. Já o fiz numa outra época, mais nova e menos experiente. Mais insegura e cheia de dúvidas. Cheia de medo. E eu nem estava sozinha para me sentir tão frágil e amedrontada…

Me senti uma derrotada quando o temor foi mais forte que eu. Saí da estrada, abandonei a trilha e peguei um atalho que parecia ser mais fácil e com menos monstros aterrorizantes. Mal sabia eu que as noites lá eram ainda piores. E, para dificultar: aí, sim, eu estava só.

Quando você me achou, eu estava tentando voltar para o caminho já fazia um tempo. Por arrependimento. Por ver que o trajeto que parece ser menos penoso era pura ilusão. Eu estava cansada, desnorteada. Mas nos pegamos pelas mãos.

Confesso que quando vi a estrada novamente, a espinha gelou. Será que eu estava pronta dessa vez? Será que, uma vez mais, eu me acovardaria? Eu não contava, porém, com as armadilhas que encontraríamos no caminho. Com isso, não tinha tempo para sentir medo.

Fomos derrubando cada muro que se erguia em nossa frente até eles ficarem pequenos o suficiente para passarmos por cima sem tropeçar. E caminhar ali finalmente se tornou natural para mim.  Mas tem que ser com você.

Eu não tenho mais medo. E é graças a sua presença. Os monstros ainda estão por aí, vigiando, tentando acertar alguns golpes e pregar peças. Só que, dessa vez, eu não quero fugir. Eu quero é encarar cada um, olhar nos olhos e comprar a briga. Dessa vez, eu tenho você e escapar não é mais uma opção.

Textos

Eu vou deixar você ir

Se um dia, depois de uma briga qualquer, você resolver ir embora, deixarei. Não vou pedir para que mude de ideia, nem implorar para que fique. De mim, você não ouvirá nenhuma objeção. Não abrirei a porta, mas também não me colocarei em frente a ela.

Você está mentindo”, uns vão dizer. “Duvido”, dirão outros. “Vai segurá-lo pelo braço e chorar. Suplicar para que não vá a lugar algum. Você não vai lutar pelo seu amor?”, hão de complementar. E eu ainda digo que não farei nada disso e a explicação é simples.

Manter um amor vivo é difícil. O dia-a-dia apaga os primeiros encantos e escreve um cansaço pesado por cima. Por isso, a minha luta – nossa, espero – foi durante todos os dias em estivemos juntos e não somente na hora em que é hora de aceitar que acabou.

Eu lutei por você todos os dias em que chegava do trabalho morta, mas ainda arranjava energia para ir ao cinema porque você prefere a última sessão. Lutei por você quando pedi desculpas, mesmo sabendo que não era eu a errada na história. Lutei por você em cada mínimo sacrifício diário.

Por isso, se um dia você resolver ir, não vou me opor. E descansarei com a cabeça tranquila sabendo que dei o melhor de mim para criar um lugar do qual você não quisesse sair. Mas é uma escolha sua.

Claro que vai doer e vou sentir sua falta. Muita. Vou chorar, sim, à noite antes de dormir – como faço depois de um filme triste. Mas você foi porque não se sentiu mais a vontade para ficar. Eu queria que você ficasse e fiz de tudo para que fosse esse o seu desejo também.

Mas prefiro a dor de te ver partir do que aquele sentimento de que você está aqui por obrigação. Amor não é refém para ficar sob a mira de ameaças. Nossos amores são livres e é só por isso que eu te deixo ir.

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