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Quem é a autora do Blog?

Sou a Leca Lichacovski, Jornalista. Blogueira. Vocalista da Banda Gonzales. Sarcasticamente engraçadinha. Talvez você vá com a minha cara, talvez não.

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Leca

Notas sobre uma noiva ansiosa

Eu não estou dormindo a noite toda por causa da ansiedade. 80% dos meus sonhos envolvem casamento e alguma situação ridícula, do tipo: esqueci de comprar o sapato de noiva e vou ter que usar minha rasteirinha quase-gladiadora toda surrada.

Ontem terminei de fazer a limpa nos meus armários. Separei sacos e mais sacos de roupa para doação. Sapatos. Almofadas. Bijuterias. Cintos. Bolsas. Tudo que não vai, mas que também não merece ficar mais.

Tive que me desprender de todo apego emocional na separação das roupas. Aquelas bonitinhas que vieram de viagens e estavam no armário só por esse motivo. Por esse lado, foi bom. Libertador até… Não sei porquê guardamos tanta coisa. Achei até bilhetes de entradas de parques. Livros de teoria musical e de dinâmicas em grupo.

No meio da arrumação (ou ‘desarrumação’?), me peguei pensando: como é engraçado o curso natural da vida. De repente, a casa onde eu cresci e me criei vai se tornar “a casa dos meus pais”. Ando meio nostálgica, eu sei. Mas acho que não tem como não ficar vendo sua vida inteira sendo separada em caixas de mudança e de lixo.

Outra coisa que vai doer: Margot vai ficar em casa. Aliás… na casa deles. Não vou separá-la da Milly, muito menos privá-la do espaço para prendê-la num apartamento onde ficará sozinha. Pela primeira vez em 27 anos, não terei companhia canina diária.

Não vou nem citar meus pais, porque choro só de pensar. Quando eu era pequena, eu, minha irmã e minha mãe dividíamos a cama dos meus pais até dormirmos. Meu pai vinha nos buscar e, muitas noites, eu fingia que estava dormindo só para ele me levar no colo até o meu quarto.

Droga, já estou chorando.

Mas não pensem que estou triste. Pelo contrário! Estou muito animada com a mudança. Só fica esse pesinho no coração, mas estou pronta. É natural, eu acho, ficar assim, nostálgica. Ansiosa. Noiva prestes a mudar o status para “casada”.

Que venham novas caixas para serem preenchidas. Que venha a nova vida.

ETC

E quando a gente não se acostuma com o vazio?

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Eu sempre achei que me adaptava fácil às novas rotinas. Se precisar acordar cedo, acordo. Se precisar fazer o turno da noite, eu me viro para botar o sono em ordem. Se eu cortar radicalmente o cabelo, duas olhadas no espelho bastam para eu reconhecer aquela pessoa. Por isso foi tão fácil acreditar que eu iria me acostumar com a sua ausência. Mas até agora…

Ainda não achei uma mão igual a sua, que tinha o tamanho certo para guardar a minha. Também não encontro suas pequenas gentilezas. Eu ficava tão orgulhosa quando você fazia uma pessoa qualquer na rua sorrir. “A senhora fica muito bonita de chapéu!”, e ela corava feliz. “Não fica com ciúmes, amor! Você fica bonita com chapéu, sem, careca ou toda cabeluda”, você complementava ligeiro.

E aí eu me pergunto: e quando a gente não se acostuma com o vazio que fica? É raro, mas acredito que algumas pessoas, quando grandes demais nas nossas vidas, deixam esse rombo que nada preenche e que tudo faz lembrar. E se nenhum dos meus risos chega perto dos que eu libertava quando eram com você? Eu tô nessa.

Outros bocas já passaram por aqui. Outros corpos. Outros gozos. Não que tenham sido ruins. Mas quando era a gente… A gente encaixou tudo de primeira, sabe? E não acho mais quem tenha o mesmo efeito. Talvez porque eu tenha ficado com as suas medidas e formato. Eu detesto gostar de alguém e, lá no fundo pensar que não é você ou que, com você, não era assim.

Quando a gente não se acostuma, parece que vamos para um mundo paralelo. Inverso. Onde quem foi ainda vive, mas não está. Não consigo me acostumar com a ideia de você com outro alguém. Essa imagem me causa estranheza. Não sei se é ciúme ou o que. Mas parece que o buraco que ficou aqui dentro aumenta e me vejo dentro dele por completo. Aliás, quase, porque você não está para eu ser inteira.

ETC

Nós dois não somos mais os mesmos

*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Quando vejo você por aí, nunca sei o que fazer. Se aceno calorosamente a mão e se só um balanço da cabeça seria suficiente. Nunca sei se devo me levantar para cumprimentá-lo ou se simplesmente ignoro. Essa costuma ser a minha opção… Como sempre fui distraída, não é difícil acreditar que você realmente me passou despercebido.

Mas, sabe, a cabeça fica projetando esses encontros hipotéticos e cheguei a conclusão que, se um dia nos esbarrarmos, o melhor a fazer seria me (re)apresentar pra você. Porque nós não somos mais os mesmos. E quem você conheceu (conviveu e amou), foi só uma versão anterior de mim. E vice-versa.

Hoje, acredite, cozinho bem e não durmo mais em filmes, já que eles se tornaram minha companhia na sua ausência. Parei de usar salto alto, porque não preciso mais me esticar para alcançar seus lábios. Só uso batom vermelho, não importa a hora do dia, porque eles me fazem sentir forte para ficar mais um dia sem você, mas ao mesmo tempo preparada para o caso de te encontrar.

Você, ouvi dizer, foi fazer mochilão no Peru. Quem diria… Você, que sempre preferiu conforto a aventuras. Também fiquei sabendo, através de amigos em comum, que desistiu da ideia de casar. O que vier, será. Logo você, que sonhava tanto quanto eu com o nosso grande dia.

Nós tivemos que matar aquela velharia que éramos, pro nosso próprio bem. O tempo reinventa. Remolda. Refaz. E a gente descobre que as novas partes são tão nossas quanto as antigas. Eu continuo sendo eu, só com uma nova roupagem. Mais solta. Mais porra louca. Até a minha risada, que você dizia ser preguiçosa, mudou. Faço escândalo agora, rio gostoso. Não por afronta às suas brincadeiras, mas como um cumprimento bem humorado a essa pessoa que me tornei.

Não somos mais os mesmos. Nem eu, nem você. Hoje, somos estranhos um ao outro, com um rosto familiar ao de alguém que conhecemos no passado. Eu brindo as mudanças, meu bem. Porque, sem elas, eu continuaria vivendo uma realidade em que você já não habitava mais.

Leca

O tempo não para

Chegamos ao dia 300 de 2016. Passou rápido… Tão rápido, que faz a gente perguntar: O que eu fiz nesse tempo que voou? (Pausa para lembrar daquele jingle “o tempo passa, o tempo voa…”. Se você leu cantando, me abraça, porque estamos ficando velhos. Se você não tem ideia do que seja isso, vem aqui).

Provavelmente, algumas metas lá do dia 1º ainda estão pendentes. Em compensação, algumas que nem imaginei ser listadas já foram concluídas com sucesso. E outras estão surgindo improvisadamente.

Planejei meu casamento, que se aproxima na velocidade da luz. Conheci pessoas incríveis e me afastei de algumas que já não me traziam bem algum. Voltei pra academia e aprendi a comer. Disse “eu te amo” a pessoas que deveriam ouvir isso com mais frequência.

Me aproximei de Deus e Ele de mim. Amei-o mais e, consquentemente, Ele retribuiu na mesma intensidade – até mais forte. Entendi o que é o tal “Deixa Deus te usar”, porque eu O deixei fazê-lo. E isso me abriu portas, janelas e mares.

Hoje já é o 300 e eu penso em como esses dias foram bons – não todos, mas a média continua sendo positiva. E eu também, porque eu sou dessas sonhadoras que acredita, talvez ingenuamente, que amanhã vai ser melhor. Nem que seja um pouquinho só…

Leca

Relatos da Cereja: Planejando um casamento

Eu vou me casar em 30 dias. Estou maluca, como devem imaginar (mas sem neuras ou surtos. Só ansiedade mesmo). O sono já não é mais o mesmo, nem a cabeça. São dezenas de pequenas coisas e preocupações a todo momento. Reuniões. Conversas. E-mails. WhatsApp (muito Wpp). Estou nessa desde abril, quando comecei a fazer os planejamentos e a correr atrás das coisas.

Planejar um casamento é delicioso, mas também tira a gente do sério às vezes. Dá medo, sabe? Queremos que tudo seja perfeito, conforme o nossos sonhos. Eu, no meu caso, comecei a sonhar com casamento há uns anos. Decidi que queria fazer ao ar livre e simples. Não gosto de muitas flores nem de vestido “bolo”. Já tinha meus gostos bem definidos.

Então, por onde começar?

1. Casamentos.com.br e Pinterest

Achei o site casamentos.com.br por acaso e foi uma senhora mão na roda! Eles tem lista de fornecedores, blog com dicas, fórum onde você pode tirar dúvidas. Comecei por ali e peguei algumas orientações bacanas, como uma check list e prazos para cumprir.

O Pinterest me salvou no quesito “referências”. Eu já sabia como queria, mas eu precisaria mostrar para os organizadores. O mais difícil foi encontrar uma paleta de cores. Pra minha sorte, o noivo é designer e manja de cores e tudo o mais. Selecionamos, então, uma que tivesse os tons de Cereja (porque… né?!) e o amarelo, que é a cor da comunicação (eu não sabia disso, foi ele quem me contou). E, assim, surgiu o nosso norte para pesquisar as coisas. Criei uma pasta com tudo que eu gostaria de ter (privada, entre mim e meu noivo apenas). Decoração. Bolo. Cores dos padrinhos.

Internet é uma beleza e eu achei tudo que precisava. Minada com as fotos, fui fazer os orçamentos.

2. Organizadora (Wedding Planner)

É muito importante você sentir confiança nessas conversas. Eu fechei com a Jemima Giacomini, porque, além de confiar em tudo que ela me disse, nós nos conhecemos há muito tempo, desde quando eu era uma punkzinha que estudava violão (é, eu tive essa fase). Esse fator pesou na decisão. Confiança + tranquilidade + afinidade.

Uma das minhas referências! Foto: Pinterest

Uma das minhas referências! Foto: Pinterest

Na hora de conversar com Wedding Planner, veja o que, exatamente, eles fazem. Decoração? Cerimonial? Assessoria? Orçamentos? A conversa precisa ser a mais franca possível e (conselho de jornalista) quanto mais perguntas, melhor.

A Je me ajuda na hora que for! Mando áudios no WhatsApp e ela responde com uma voz calma e me explicando tudinho. Agora, na reta final, me mandou check list e o roteiro do cerimonial para irmos montando juntas. É muito gostoso participar de tudo sem pirar.

3. Local

Eu queria um lugar aberto, mas que me permitisse fazer uma festa em local fechado, até para termos um Plano B em caso de chuva – sim, tem que ter esse cuidado. Sinceramente, desde que vi as fotos pela primeira vez, me apaixonei pelo Espaço Villa Fiori. Era o que eu queria! Mas, disponibilidade ali estava difícil. Os outros, em hotéis, principalmente, estavam muito caros e tem a questão do limite de hora do baile, dentre outras questões. Então, nós encontramos a Maison Bourbon e eu só pensava: “Villa quem?“.

 

maison

Me encantei com o lugar. Me vi casando ali. A data que eu queria estava disponível e o orçamento estava no jeito!

4. Fotografia

Foto também é algo que precisa ser decidido com bastante antecedência, porque os fotógrafos são concorridos. Nem sei com quantos conversei… Mas, numa conversa têt-a-têt com o Chris Borges, onde ele me mostrou seus trabalhos. O Chris oferece diferentes pacotes. Eu escolhi fazer apenas o Making Of e registro no dia.

chris

Leca, você não quis pre-wedding?“.

Não. Nunca quis. É bonito, mas não me vejo fazendo um. Se você gosta, faça! Não apenas pelas fotos, mas para o fotógrafo já sentir como é o casal e já criar uma relação entre vocês. Eu é que sou jacu e não gosto de foto mesmo. #ProntoFalei

5. Vestido

O tão sonhado. O casamento todo é algo muito especial, claro, mas o vestido… É seu! A festa precisa ser algo do casal. Já o vestido, é a noiva! Precisa ser você. Você pode optar por um vestido pronto. Se você tiver a sorte de achar um com o qual se identifique, é uma correria a menos pra você. Como eu queria algo bem específico, precisei mandar fazer. Mas eu estava há tanto tempo ser frequentar eventos sociais que estava meio “órfã” de ateliês. Percorri a cidade e, olha, fiquei bem chateada com alguns. Ou não nos davam a devida atenção ou iriam nos cobrar “a partir de R$5.000” (e, desculpem, mas eu, particularmente, não pago isso num vestido).

Aí, fui no Bel Art Maison. Já havia usado um vestido de lá para um evento no ano retrasado. E, novamente, o encanto e a confiança apareçeram para me ajudar na decisão! A Elham Handous, nossa atendente, é de uma atenção sem igual! Muito querida, entendeu a minha ideia, fez o desenho (para mim, minha mãe e irmã) e acertou em cheio! Já fiz as provas e, olha… Me sinto noiva!

Obviamente, não teremos foto do vestido de noiva. Mas olha o vestido que eu peguei lá para um outro casamento, onde fui madrinha:

versão madrinha de casamento. . vestido: @belartmaison cabelo e make: @mulinarihair

Uma foto publicada por Leca Lichacovski (@leca_dpaula) em


6. Cabelo e maquiagem

Apesar de eu ter cabelo curto, preciso pensar em penteado, sim. Então, há quatro meses, estou cuidando do corte e coloração no Salão Mulinari, com a Darcilda Mulinari. O legal do salão, onde irei me arrumar, é que oferecem o pacote para noiva. Além de uma salinha especial, para me arrumar tranquilamente sozinha ou com minhas madrinhas. A maquiagem ficará por conta da Marcela Potrick, que também captou bem a minha ideia e meu estilo. Não quero falar muito para não soltar spoilers, mas fizemos o teste semana passada e ai, ai… Eu não quis tirar a make nunca mais.

Ter referências para cabelo e maquiagem também é importante.

Obviamente (2), não teremos foto do cabelo e maquiagem.

7. Buffet

Se você não fizer festa em hotel, terá que contratar um buffet, como é o meu caso. Depois de indicações, me sentei numa reunião com a Cáritas, do Ver o Verde Bufê, e ela foi a única com quem quis conversar! O legal dela é que não existe um cardápio pronto para ela te mandar orçamento. Ela c o n v e r s a, pergunta dos seus gostos, dos gostos do noivo e cria algo para o casamento de VOCÊS. E é muito legal ter a orientação de coisas que você nunca imaginou, como cardápio infantil ou opção de finger foods que não vão esfarelar e sujar a roupa de ninguém.

caritas

Foto: Ver o Verde Bufe

 

É ótimo encontrar profissionais que te fazem crer que terão o mesmo cuidado na organização do seu casamento que você. E tem outros envolvidos que tem a minha confiança total, como os músicos: Noemia, Sergio e Eliezer; Carol, Renato e banda.

Enfim… Eu esqueci de alguém, com certeza. Esse é o mal em querer citar todo mundo.

Mas, enfim… Tá chegando! E eu quero logo.

Textos

Minha pessoa errada

Minha pessoa errada veio em hora que eu precisava. Não dela, mas do que ela oferecia. É engraçado esse negócio de carinho estar nas mãos de quem não devia. Mas, essa era a situação: eu aqui, ele lá, alojado na minha pessoa errada.

Minha pessoa errada me fez rir ao mesmo tempo que me fez chorar. Me fez amar e odiar ao mesmo tempo. A situação, os nossos encontros, ela. Me fez viver dicotomias, dilemas, sim e não. Paixão e raiva. Mas minha pessoa errada me fez sentir com intensidade inédita.

E sabe qual a pior parte de ter uma pessoa errada? É que ela será eterna, porque faremos de tudo para não encontrar outra. Então, ela acaba sendo a única. E tudo que é exclusivo, marca. Minha pessoa errada ainda está aqui, na lembrança, mesmo que eu não queira.

A minha pessoa errada já foi. Me livrou – ou se fez livre. Ainda não sei dizer. Foi quando ela quis, mas bem depois de quando eu precisava. Era pra ela ser passageira. Ligeira. Sem importância. Mas ela foi boa… E por isso foi errado.

Textos

Eu queria que você me eternizasse

Eu queria ser importante o suficiente para você me eternizar. Nos seus desenhos aquarela. Na sua poesia simétrica. Me transformasse em verso da sua música. Mas, ah… Você só me canta e me apaga como grafite.

Vai ver não me vê como obra de arte. Sequer como obra-prima. Talvez o dourado dos meus cabelos não possa ser reproduzido com suas tintas. Talvez eu seja complexa demais para caber em canção. E talvez eu seja difícil de rimar…

Não sei.

Mas eu queria que você me eternizasse de alguma forma. Para você. Não preciso virar exposição. Só quero um pedaço da sua galeria para, de vez em quando, você ir me ver. Admirar, talvez. Notar detalhes que não dá pra ver numa passada rápida da vista.

Eu queria ser tema dos seus pincéis e suas cores. Das cordas do seu violão. Eu queria que você escrevesse nas paredes que me ama.

Mas você não é poeta ou artista.
Você não me eterniza porque, para você, eu sou apenas um momento.
E eu já passei.

Textos

Eu decidi ser eu

Menina,
Deixa o cabelo comprido, é mais bonito.
Que falta de corte… Repica! Deixa mais leve.
Use mais cores, você só anda de preto.
Ah, mas tá muito colorida.
Já pensou em fazer dieta?
Nossa, que magrinha que você está.

O que não faltam são palpites sobre a minha vida.
Quem ser.
Como ser.
E por muito tempo eu segui conforme a música (dos outros).
Até encontrar minha própria melodia e arranjos.
Até descobrir meu ritmo e compasso.
O seu, eu passo.

Um dia, eu decidir ser eu
E nunca mais voltei atrás.
Vou brincar com meus vários ‘eus’,
Porque eu não preciso ser só uma.
Vou me divertir, brincar de ciranda,
Dar as mãos a quem vai levar a dança adiante
Mas sabendo que quem conduz, sou eu.

Textos

Afinal, o que é que acaba?

De novo, a internet veio abaixo com a notícia de uma separação de famosos. Dessa vez, Brad Pitt e Angelina Jolie. Depois de 12 anos juntos, o casamento acabou. Leia bem (e separando as sílabas): o ca-sa-men-to. E o amor? Só eles podem dizer.

Não acho que uma relação só termine porque o amor já não é mais suficiente. Às vezes, o fim torna-se ainda pior porque, ao contrário do que dizem, o sentimento permanece ali, vivo. Mas uma relação a dois (ou, no caso de Brangelina, a oito) não vive só de amor. Tem muitos outros fatores envolvidos e cada um deles pode abalar e culminar no fim do matrimônio.

Relacionamentos e amor podem ou não ser perduráveis, juntos ou separadamente. Um não quer dizer o outro. É preciso ter isso muito claro, para não confundir as coisas. Já vi casamento permanecer sem amor e já vi amor permanecer sem o outro. E nunca é legal esse desencontro. Bom seria se fosse uma simples equação matemática e que a solução estivesse na lógica das coisas.

Mas amor é gramática. Tem as exceções, as vírgulas, as interrogações e as reticências. O que é que acaba, então? Acaba a vontade de insistir em algo que já está fadado. Acabam as desculpas do porquê ainda estão juntos, se não dá certo mesmo. Ele é muito acomodado enquanto ela prefere sonhar alto. Ele é muito prático, já ela, dramática demais. Ele é apaixonado, ela ainda tem umas quedas na liberdade. Acaba o entrosamento. Acaba o assunto.

Algumas coisas simplesmente terminam – seja por causa do tempo (excesso ou falta dele) ou por falta de assistência. Enfim… Elas acabam. Mas nem sempre é o amor.

Textos

Você precisa ter experiências ruins

Não é o tipo de coisa que a gente quer, mas que a gente precisa. Precisamos de experiências ruins na vida, senão, nada muda. Nem a gente. Sabe quando Lulu canta: “Não haveria luz se não fosse a escuridão“? É isso que ele quer dizer – numa interpretação livre desta que vos fala.

Todos nós temos os nossos maus bocados, não importa em qual âmbito seja. Com amigos, familiares, no trabalho, em relacionamentos, sozinho. A gente precisa tomar um primeiro porre para aprender que beber até passar mal é coisa de gente idiota e que gosta de sofrer. Se eu bebo, é para me divertir, relaxar (mas cada um com suas prioridades).

Precisamos de experiências ruins para saber quais são os nossos limites. Até quanto a gente aguenta apanhar e quanto tempo depois temos força de novo para levantar da pancada. São esses perrengues que nos fazem mudar e ficar mais espertos na vida e suas surpresas. Vira nosso “sentido aranha”.

Por isso, se está doendo agora, pense no quanto você vai crescer depois. Se refazer. Se conhecer… A dor passa, o aprendizado fica. Você vai errar, sim. Mais de uma vez, mas quando acertar, aí vai ter aquele gostinho especial de: “Consegui!“. Só não pare. Não desista. Você não é feito de açúcar, lembra? E outra: se precisar, grita. Pede ajuda, chama por socorro. Não tem nada de errado em não conseguir sozinho – aliás, quem consegue? Mãos amigas (as verdadeiras) estão aí para isso também.

Vai andando, vivendo de experiência ruim a boa. Até chegar na melhor. Na ideal. Naquela que você vai reconhecer e dizer: “Valeu a pena“.

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