Hoje você voltou. No momento em que eu apertei o play e a canção começou a tocar, você voltou.

Parece que você está atrelado à música. É como se eu ainda a cantasse
para mim mesma, pensando em você, me convencendo de que eu precisava “levantar e tentar, tentar, tentar”.

Como desvincular você da melodia?  Como não lembrar que eu ficava horas me fazendo a mesma pergunta que a cantora: “Por que nos apaixonamos tão facilmente, mesmo quando não é certo?”?

Músicas podem elevar nosso estado de espírito, mas também o derrubam nos primeiros acordes.

Ela
vai fundo na ferida. Afinal, essa é a trilha sonora que marcou todo o
processo de escoriação. E, ironicamente, ela é a queloide.

A canção vai ser a marca permanente. Você pode tentar cobrir, esconder, tatuar algo em cima, mas ela estará sempre lá, na sua pele. E, vez ou outra, ela vai te incomodar porque, ainda que cicatriz não doa, te faz lembrar.

Hoje você voltou… Mas, diferente da outra vez, não vou deixar você ficar em repeat. Você se foi assim que a música acabou e eu comecei a cantarolar minha própria melodia, mais feliz e livre dos seus riffs pesados.

Agora tô voz e violão. Eu comigo.

Bem melhor assim…

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