Aos poucos vou te entregando as minhas verdades. O meu lado não tão bonito. A minha face oculta. Aquela parte que lutamos com todas as forças para esconder e deixar cair no esquecimento – se é que isso é possível. Vou te confessando os meus pecados como se você fosse o responsável por me dar o perdão de que preciso.

Pode não ser confortável ouvir todos os meus erros – alguns irreparáveis – mas acredito ser o mais justo. Você tem que me entender. Saber dos meus traumas. Conhecer a origem dos meus demônios para, então, decidir se quer mesmo ficar.

Não vai ser fácil, já aviso. Mas quando é? Quem não tem assombração que atire a primeira pedra. Quem não tem medo de cometer os mesmos erros, que me ensine como faz. Me passe a fórmula, porque eu sempre fico apavorada.

Esse é o meu íntimo. O verdadeiro. Bruto e cru. Sem moralismos, sem as máscaras da boa convivência. Despido do pudor e da repressão da sociedade. Esta sou eu, vulnerável, com as costas abertas às suas chicotadas.

Não deveria ser assim. Me abri por completo para sofrer represálias? Fui justa com você, mas onde está a retribuição? No silêncio que precede a sentença? No olhar de pena que me fita? Não preciso da sua misericórdia, apenas do seu total entendimento de mim.

Enquanto estou na defensiva, sua reação: Para a minha surpresa, não foi comentário, discurso, castigo ou negação. Você me acolheu dentro de um abraço que me serviu de abrigo. Virou meu escudo. Tornou-se meu mundo.

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