Nem sempre a vida anda bem. Tem aqueles dias em que o nó na garganta é constante e cada oportunidade em que estou sozinha serve para chorar escondida. Tem dias que a maquiagem escorre inteira para a fronha do travesseiro. Mas quando a manhã chega, é hora de tentar recomeçar.

Nesses dias nem tão bons, fico pensando na complexidade de sentimentos que perambulam coração, cabeça e alma. Um cabo-de-guerra à base de roldanas, sobes-e-desces. Às vezes é confronto. Noutras, é fusão. E aí surgem sentimentos anônimos em mim.

Tem medo com amor. Esperança com raiva. Tranquilidade com uma bagunça silenciosa. Fé com razão e racionalidade com oração. A gente não sabe ser só um. A gente não sabe ser simplório. Somos uma sequência de sentimentos em combustão.

Praquilo que ainda não dei nome, tenho só o meu turbilhão. O meu trabalho em vão, tentando peneirar a parte boa para fazer tudo voltar à calmaria. Mas dá pra separar vinho tinto do branco? Dá pra voltar a ser dois sabores distintos?

Acho que é melhor pensar que, de alguma forma, são apenas máscaras. Em breve, assim que a causa da necessidade passar, o disfarce será desfeito. E, sem as máscaras de dentro, a que eu uso por fora também não terá mais utilidade.

E voltarei a vestir meus sorrisos sinceros em plena segunda-feira, cantando como se andasse em nuvens outra vez. Até lá, que eu tenha forças de criar meu próprio sol.

 

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