Eu cheguei a você sem querer. Como alguém perdido que, por acaso, encontrou um abrigo. Estrutura em bom estado, mas há tempos sem cuidados. Eu corri para você para fugir da tempestade em que me encontrava… E só abrigada pude ver que era eu quem chovia, mas encaixei sob seu teto nublado.

Quando eu cheguei em você, não queria ficar. Era pra ser temporário, só até o pior passar. Mas fui descobrindo seus segredos, vendo seus retratos, me encantando por sua história misteriosa. Me perdi nas horas recuperando suas cores e nem vi que o tempo ruim passou – tanto lá fora quanto dentro.

Eu arrumei a cama e me acomodei melhor do que o esperado. Associei seu cheiro a um lugar que me traz paz. Trouxe meus toques pessoais à suas paredes, pendurei minhas fotos e (achei que) preencheram bem seus espaços em branco. E assim, aos poucos, o abrigo temporário virou lar.

Da janela, vi o gelo de fora derreter e o sol chegar. Iluminou, mudou todo o ambiente e me surpreendeu. Quando cheguei em você, não pensei que havia tanta beleza a se revelar. O lado de dentro ficou vivo, meu e seu. E, do lado de fora, pode fazer o vento que for, que aqui dentro continua firme e ensolarado.

Quando eu cheguei em você, buscava abrigo – e encontrei muito mais.

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