Eu tremo com você perto assim. Você me domina, toma conta do meu juízo. Até as minhas palavras você tira. E isso é perigoso demais, porque fico completamente desarmada para te negar.

Quero te chamar para entrar e tomar mais uma cerveja. Essa vontade borbulha em mim. Tenho certeza de que isso extravasa em cada poro meu, em cada encontro de olhar, em cada toque acidental das mãos.

E você?

Você segue com seu sorriso debochado porque sabe o que faz comigo, ainda que eu tente disfarçar. Me tornei mais uma das suas vítimas. Só queria saber quem te colocou nesse altar imaginário e te faz pensar que é inatingível.

Pode parecer arrogante da minha parte, mas eu sei que eu posso chegar até aí. Só me falta a coragem, amordaçada pelos que te precederam.

Já é quase hora de ir embora e ainda não fiz o convite.  “Covarde, fala logo. É simples!”, penso.

A garganta fecha. O coração acelera. Os pés dançam contra a minha vontade. O sangue parece frio nas minhas veias. Eu sei que você está esperando. Está nos seus olhos.

– Quer entrar? Tenho umas cervejas aí… – Falei (acho que num tom mais urgente do que gostaria). A coragem foi liberta, enfim. O tremor continua, mas agora tenho quase certeza de que é a adrenalina misturada com excitação.

– Parece bom!

Você entrou portando um dos seus sorrisos mais bonitos, observou o apartamento e sentou no sofá.

Fechei a porta. E que agora a coragem me ajude a abri-la de volta quando você for embora. Mas, por favor… Espera até amanhã de manhã.

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