Postagem coletiva do grupo Escritores na Era do Compartilhamento, com o tema: “Saudade”.

Para ler ouvindo: Lay me down – Sam Smith (feat. John Legend)

Em dias assim, em que não tenho com o que me distrair, a saudade bate mais forte. Ela nunca deixa de doer, na verdade… Eu só não percebo por causa da correria do dia a dia. Trabalho, casa, academia. Mas quando há espaço na agenda, ela arde, queima, sufoca e esmaga.

Fiquei olhando para o seu lugar a mesa e a saudade ficou martelando você na minha mente. E sabe do que eu mais sinto falta? Claro, de tudo… Mas o que me dói mesmo é não ouvir mais os seus segredos. Sinto uma saudade sem medidas de ser eleita sua confidente e de guardar suas confissões como se fossem as minhas – aquelas que só o travesseiro sabe.

Lembro quando você chegava puto com o mundo, querendo chutar tudo para o alto e me dizer que queria largar tudo e viajar o mundo. Quando acalmava, vinha pro meu abraço, pedia desculpas pela explosão e aí me contava, baixinho, o que realmente havia acontecido. “Acho isso tudo uma merda. O que eu queria mesmo era…” e me contava um segredo.  Colecionei vários deles em mim.

Suas confidências nunca machucaram. Não sabê-las era o que me tirava do sério. Você sabe que minha imaginação sempre foi fértil demais e ela me jogava numa infinidade de probabilidades (possíveis ou não) para o seu silêncio. Entramos num ciclo vicioso: Quanto mais você calava, mais eu imaginava, mais nos afastávamos, mais você calava, e assim por diante. Até que fomos reduzidos a saudade.

Queria você de volta nesta cadeira. Nesta casa. Nesta vida. Queria te ouvir contar piadas e seu dia. Queria te abraçar com força, com braços e pernas. Te entrelaçar nos dedos e te guardar tão bem quanto os teus segredos. Dentro do meu peito e te guardar em mim, como se fosse meu próprio.
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Postagem coletiva – Leia também
(links serão adicionados aqui conforme forem publicados):

Saudade de infância tem cura, doutor?, por Tatiane Argenta
A saudade é uma miragem, por Sâmela Faria
Aprendi a conviver com a saudade, mas não aprendi a te esquecer, por Jô Lima
Eu sempre gostei de plurais, por Nathalia Moraes
Saudade tem sua beleza, por Joany Talon
De repente amor, te esperar terminou…, por Juliane Rodrigues
11 graus de frio e saudade, por Tamyhe C. Engler
A renda e as pedras, por Taciana Gaideski
Tatuei você na pele, por Fernanda Probst
Devaneios de uma saudade de domingo, por Cristina Souza
Traduzo a saudade em forma de você, por Pâmela Marques
Tô com saudade dela, Fábio Chap
Saudade é aquilo que fica quando algo ou alguém importante vai embora, por Valter Junior
Saudade, por Layna Diaz
Entre estrelas e saudades, por Fernando Suhet
De cama vazia – e coração também, por Cíntia Gomes
Aquele “adeus” que mais pareceu “até logo”, por Allison Christian
Sobre saudade, por Mariah Alcântara
Sobre tudo que a gente não foi, por Sâmia Louise

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