Passei o final de semana assistindo a nova temporada de Narcos. O primeiro episódio me doeu… Não pela série em si, mas pela música do Rodrigo Amarante.

“Soy el fuego que arde tu píel… Soy el água que mata tu sed..”.

A música com tempero latino era uma das suas favoritas. Bastava ouvi-la para você tentar me tirar para dançar, fosse só me embalando no sofá, fosse me abraçando enquanto eu estivesse mexendo com a janta ou com a louça, fosse comigo escovando os dentes. Nada te impedia de bailar.

Voltar a assistir essa série foi mais um dos meus recomeços diários. Recomçar é isso! Esses pequenos encontros do que era e de como será daqui pra frente. E é sempre (SEMPRE!) um dilema.

São as duas faces da moeda. Sentimentos opostos e justapostos. Ao mesmo tempo que fico feliz por conseguir passar por mais um recomeço, me dói lembrar do porquê eu precisei fazê-lo. Alguns me fazem chorar – e eu não sei definir qual dos lados ocasionou o choro. Se foi a tristeza ou se foi a alegria.

Enquanto a música me fez chorar, outro recomeço me trouxe ânimo: fui ver um apartamento. E isso é grande – mas não foi assustador. Só fui conhecer, claro. Não estou pronta para me mudar ainda. A mudança tem que acontecer aqui dentro primeiro… Mas foi tudo bem.

Fiquei imaginando como decoraria o novo ninho. No nosso, você que assumiu essa parte. Foi o nosso trato. Eu cuidava da festa do casamento, você do apê. Acho que a divisão deu super certo. Foi de nós dois para nós dois. E, talvez agora, eu não deva pensar em como você gostaria de fazer o novo lar. Talvez eu precise, justamente, de um lugar onde não tenha existido nós dois.

Preciso criar novas lembranças. Isso não quer dizer que eu vá esquecer das nossas… Elas estão guardadas naquela caixinha “Leca e Vilms que fiz com nossas fotos. Tenho uma caixa semelhante no meu coração (mas muito maior).

Comments

comments

Powered by Facebook Comments