Vim aqui te pedir desculpas. Não pelas brigas idiotas, nem pelo meu jeito grosseiro de responder às vezes. Nem pelas vezes que esqueço a toalha molhada em cima da cama ou minhas meias jogadas pela sala. Quero me desculpar pela demora em te encontrar.

Eu também estava perdido, mas do outro lado do mundo. Você ia, eu vinha. Você pulava, eu abaixava. Você virava, eu seguia reto. Esses desencontros cotidianos que fazem a gente andar em círculos a procura de alguém.

Havia noites em que eu achava que estar no meu melhor. Enquanto isso, sem eu saber, você chorava. Ou, o contrário. Quando eu queria quebrar tudo, você dançava madrugada adentro. E nunca tínhamos os mesmos motivos para beber.

Nessas andanças da vida, eu sentia sua falta – sem saber quem era você. Mas foi a gente se esbarrar naquele 3 de julho pra eu saber, de imediato, que eu não estava mais incompleto. Era você. E como eu queria ter te encontrado antes…

Quando você chegou – aliás, eu adoro toda vez que você chega – minha felicidade veio junto, de mãos dadas com a garota da saia rodada e camiseta do Sonic Youth. Fiquei te olhando, extasiado, sentindo meu coração gritar: “É ela! É ela!”.

Te vi rir pela primeira vez. Conheci suas covinhas e sua timidez. Ouvi suas histórias, seus amores, suas aventuras. Se eu soubesse que era isso que o destino reservava para a gente, eu teria dado um jeito de te achar antes.

Se eu soubesse antes que meus dias seriam assim, eu teria arranjado alguma desculpa para sair antes do trabalho. Teria girado o mundo mais depressa pra gente se encontrar na casa de algum amigo em comum. Teria mudado meu caminho diário só para te encontrar.

Por isso, desculpa a minha demora. Se dependesse de mim, o tempo de espera e procura teria sido bem menor, quase inexistente. Breve como um piscar de olhos.

Comments

comments

Powered by Facebook Comments