Eu odeio quando você chega assoviando Bob Marley – até mesmo porque não gosto de reggae. Mas o que me irrita mesmo, o que me faz rosnar por dentro e querer chorar de raiva é que isso significa que você (já) está bem. É quase um deboche. Como se você quisesse se mostrar para mim com um grande cartaz de “estou feliz sem você”.

Nada contra a sua felicidade. Mas, cara… Chegar assim, todo sorrisos enquanto eu ainda me controlo para não chorar é como se você chegasse sambando num velório. Respeite o meu luto. É pedir demais?

Não sinto mais nada por você, nem te quero de volta. Mas essa dor no ego é o seu chute no meu estômago. Pode desfilar com quem quiser, ser um casal novamente, espalhar para nossos amigos que você está incrivelmente bem… Mas longe de mim. Do outro lado da cidade. É como se você fizesse questão de me esnobar. Suga o resto das minhas energias até a última gota como se fossem milk shake de chocolate.

Sou o copo vazio e você, o cliente farto. Estou satisfazendo a sua alma sádica contra a minha vontade. Será coincidência ser essa a canção que você cantarola aos quatro ventos? Cara, me deixa em paz.

Quando eu ficar bem, você pode até me contar sobre seus novos romances, me apresentar suas namoradas, me chamar para ser madrinha do seu filho. Mas, até lá, deixa eu viver a minha vida sem saber da sua. Um dia a gente se reencontra se você quiser – pra mim, tanto faz. Podemos sentar para tomar uma cerveja com os amigos e agir como se nada tivesse acontecido. Talvez um dia, por que não?

Só que eu não no clima para ouvir Bob Marley agora. Leva seu assovio para outros ouvidos e eu vou ficar aqui com um rock leve dos anos 80, compartilhando o pedido por um pouco de respeito. Pode ser?

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