Menina,

Eu sei o que você quer. Eu vejo seu coração pedir que ele sinta sua falta. Que ele te olhe e sinta vontade de segurar sua mão. Que ele precise se controlar para não te chamar para um canto escondido só para poder lembrar os seus beijos.

O bom de não pertencer a um corpo, menina, é que podemos visitar outros. E fui ao dele para saber o que anda acontecendo por lá. Ele ainda te acha linda. E aquele dia que se encontraram no restaurante italiano, você realmente o impressionou vestindo o conjunto branco e batom vermelho.

Mas é isso.

Não há lamento. Não há arrependimento. Não há vontade de correr para os seus braços e pedir perdão. Não há um beijo que faltou ou um abraço que terminou cedo demais. Há ele e há você, separadamente.

Eu sinto a sua dor agora e a sua autoestima encolhendo. Não deixe que isso lhe atinja, menina. Não é você. Ou o seu corpo. Ou o seu humor. Não é nem o fato de vocês torcerem para times rivais. E eu não digo isso para agradar. Falo porque vi nele a verdade: Nem sempre os corações estão prontos para serem preenchidos novamente. Se vocês tivessem se encontrado em outra hora, talvez. Mas, naquela época, ele não estava pronto. E tudo bem não estar pronto para alguém.

Eu sei que parece injusto. Mas o Amor é respeitoso, menina. E ele não entra num coração sem ser convidado. Quem invade é a Paixão. Essa, sim, chega querendo ditar regras, horários de encontro, loucuras, gritos aos ventos de que está ali, presente. Mas ela dificilmente fica por muito tempo.

Paixão é a que anima a festa, sim. Causa risos. Dá até vexame às vezes. E segue em frente, mirando o próximo festerê. O Amor chega para ajudar a limpar a bagunça e por tudo de volta no lugar. Fica até o fim, até o último copo estar lavado. E te chama para tomar café da manhã, regado de boa conversa.

Então, menina, não se aflija. Não é culpa de ninguém. “Culpa”, aliás, é palavra pesada que o coração insiste em dizer, mas o Amor, sábio que só ele, pede o desuso. Seja leve, menina. E guarde o amor aí para quem um dia chegar convidando para o café, o almoço, o jantar e a ceia. Guarde o seu amor para o amor de outro alguém.

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