A palavra “Vagina” não é muito bem-vinda ainda na sociedade. Causa desconforto para quem fala e para quem ouve.  Talvez, até, um leve riso de deboche. Porém, é muito importante tirar esse tabu sobre ela! Precisamos falar sobre vagina, vulva e todas as outras partes que envolvem a saúde íntima da mulher.

Na semana passada, postei a primeira parte da entrevista com a ginecologista Laura Lúcia, onde tratamos sobre como o uso de saias e vestidos é uma das formas de ajudar a ter uma região íntima mais saudável. Entretanto, há muitos outros fatores que implicam num melhor bem-estar da mulher.

Nessa segunda parte da conversa, abrangemos o tema e abordamos a saúde íntima. Falamos sobre higienização, coletor menstrual, tipos de calcinhas. Perguntas frequentes feitas nos consultórios expostas aqui, sem nenhuma vergonha. Nosso corpo, mulherada, não é um tabu. Ele é lindo e precisamos vê-lo dessa forma.

Então, vamos falar sobre a nossa colega e sua turma:

 


Sim. As mulheres tem muita vergonha ainda. Eu acho que é cultural. A mulher ainda é submissa, ainda tem que ter bons modos, sentar com a perna fechadinha, se comportar igual mocinha, ter uma profissão certinha, ser moça de família… E acaba que a parte íntima é muito escondida e velada. A nossa vulva e vagina são consideradas nojentas pelas próprias mulheres. Elas sentem vergonha e desprezo. Estou há mais de 20 anos atendendo as mulheres. Enquanto consulto, gosto de conversar e mostrar: “Olha, aqui, você tem que limpar assim…” e muitas me dizem: “Ah, doutora, não vou olhar!“. A grande maioria das mulheres não quer olhar para seus genitais por serem considerados feios. Também tem muitas piadas sobre vulva e vaginas, que são pejorativas e humilhantes. Então, é algo cultural e anatômico, porque eles ficam numa região muito escondida, nem as próprias mulheres tem acesso.


As próprias mulheres sentem vergonha de falar as palavras “vulva”, “vagina”, sentem vergonha em falar e em se aceitar. E, por não fazerem isso, a saúde acaba sendo prejudicada. Surgem tabus… Pra você ter alguma informação, tem que ser nos bastidores.


Todas! Na internet, vai ter lugar que diz que é pra lavar só com água, outros, com chá de malva, chá de não sei o que, vinagre!… Meu queixo cai por tantas coisas que você pode encontrar sobre “higienização”. As mulheres tem muitas dúvidas sobre isso. Muitas ainda usam o mesmo sabonete que lava o corpo, mas o Ph do nosso corpo é neutro. Da vulva, é ácido. Da vagina, mais ácido ainda. A higiene deve ir até a vulva, perínio, grandes lábios, pequenos lábios, virilha, ânus e aquela região embaixo do bumbum. Dentro da vagina: JAMAIS! A higiene íntima, apesar do nome, é uma higiene apenas externa.


Por ser uma região ácida, não dá pra usar sabonete alcalino (sabonetes para o corpo). Somente os sabonetes líquidos íntimos. Para a higienização correta, aplique-o na região externa, tirar bem o esmegma (aquela “cerinha” natural gerada pelo acúmulo de secreção), deixa ele agir por um ou dois minutos e enxague. Higienizar é retirar resíduos que, se parados ali, vão causar problemas para a mulher.


A vulva é uma região diferente de todo o corpo. Ela é úmida, tem pelos, dobras, secreções e tantas outras coisas. E por ser tão úmida, ela não deve ser abafada. Isso prolifera bactérias e fungos. Então, absorventes diários são indicados somente para início e final de fluxo menstrual. Mais recentemente, de um ano pra cá, surgiu uma versão “respirável”, sem aquele plástico que o absorvente tem. Esse pode ser usado por mulheres que suam muito ou que tem aqueles escapes menstruais.


Na minha opinião, só há prós. O coletor menstrual é um copinho de silicone medicinal. Esse material pode ficar em contato com a vagina por horas! Por ele ser medicinal, nenhuma bactéria ou vírus pode proliferar ali, diferente do algodão. O algodão, junto com o sangue, é propício para o surgimento de bactérias e fungos. O coletor pode ficar até 12h no corpo da mulher. Se passar disso, pode acontecer de vazar, porque ele é pequeno. O melhor é o transparente. Os coloridos tem química e podem gerar processos alérgicos. Ele coleta o sangue sem o contato com o ar, fica vedado e, ao retirá-lo, você vai notar que o sangue tem cheiro de sangue! Não tem mais aquele odor desagradável e forte de menstruação. Absorventes internos e externos devem ser trocados a cada 4 horas, mesmo que não estejam muito sujos. O coletor, depois de um dia de trabalho, tira, lava no banho com sabonete neutro, deixe secar bem e usa de novo. Então, naqueles cinco dias, dá pra usar o mesmo coletor. No último dia, esterilize e guarde para o mês que vem. Só não indicamos para mulheres virgens, porque elas ainda não sabem manipular a região íntima.


Quando a gente entende que a nossa vulva é uma região quente e úmida, temos que promover o contrário, ou seja: que ela ventile e se seque. E o tecido deve absorver e ventilar. O melhor é o algodão, mas também tem a poliamida, a viscose e microfibra. A calcinha vai tirar o suor e absorver. Calcinha é pra usar sem economizar! Não dá pra passar 8 horas do dia com uma calcinha que já absorveu muito suor. Leve uma frasqueira ao trabalho, deixe umas duas calcinhas reservas e troque durante o dia.

Se você ainda tem dúvidas, a dra. Laura aborda todos esses temas no canal “Saúde da Mulher”, no Youtube. Mas, novamente, rebato: Converse com seu médico

Conheça seu corpo!
Abrace-o.
Aceite-o.
Você é perfeita.

Comments

comments

Powered by Facebook Comments