Para ler ouvindo: 505 – Arctic Monkeys
“I probably still adore you with your hands around my neck. 
Or I did last time I checked”

Ficar calados um do lado do outro não foi o problema. Por vezes, era permissivo e proposital. Trocávamos as palavras por sons quase inaudíveis e estes, por sua vez, é que quebravam o silêncio total. O roçar dos dedos nos cabelos. O atrito sutil da pele com pele. Os suspiros e os beijos intermináveis.

Não foi o silêncio que nos matou.  Não é ele o réu deste julgamento. Foi passar horas a fio sem nem os olhos se comunicarem. Os verdadeiros culpados somos eu, você e a nossa distorção. A nossa falta de preenchimento. O cansaço que se instalou nos nossos travesseiros.

A consequência disso foi o silêncio ininterrupto. Pesado e soberano. O único som que eu ouvia era dos meus pensamentos, que gritavam para que eu agisse. Mas a mão não se movia. O corpo não queria mais. Os lábios queriam ficar soltos ao invés de grudados aos seus.

Não é só a morte que separa. Há outros fatores que enterram precocemente a vida em conjunto. Nós fomos mais um par de vítimas desses capangas. Acredite: Te amei até o último adeus e além. Eu só não queria mais estar ali.

Estrangularam o nosso desejo um pelo outro. E isso é tão grave quanto matar o próprio amor, senão pior. Porque, sem este componente fundamental, somos inatingíveis um ao outro. Ficamos sozinhos, mesmo na companhia de quem mais tentou nos afastar da solidão.

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