*Texto publicado originalmente em Entre Todas as Coisas

Eu te descobri num olhar. Já tinha visto você várias vezes e passado horas na mesa do bar falando besteiras pela madrugada, mas eu ainda não havia realmente olhado você. E bastou um único olhar para eu realmente achar você em mim.

Você ria alto, como sempre. Sua risada sempre me agradou – e me fazia gargalhar junto. Já tínhamos tomado alguns rótulos aquela noite e não havia intenção de parar tão cedo. A banda grunge estava agradabilíssima.

E aí, para ilustrar a conversa do momento, eu toquei o seu braço. Toquei com carinho, confesso, mas achei que fosse só isso. Nos olhamos e os sorrisos ficaram sérios. Fixamo-nos um no outro. Te descobri, enfim. E, creio eu, o mesmo aconteceu com você, porque nada mais foi igual depois disso.

Sabe o que acontece quando descobrimos algo? Queremos mais. Queremos explorar tudo, conhecer a fundo, encontrar os segredos guardados e revelar os mistérios escondidos. Queremos cravar bandeira e proclamar posse. Esse foi meu erro.

Você não foi meu, nem por um segundo. No fim, acho que foi algum truque seu: deixar que eu descobrisse, fosse pioneira e abrisse caminho, para outros poderem chegar mais fácil. Eu construí a trilha que levava a você, mas não conquistei suas riquezas.

Eu te descobri num olhar… E te perdi quando quis abraçar o seu todo. Você é terra de ninguém. É mar nunca navegado, aonde me afoguei.

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