Ok, já entendemos que o mundo está na onda fit. Fotos de corpinhos sarados (ou em processo de…) na academia, músculos definidos, bíceps bem trabalhados, barriga tanquinho. Sem esquecer das receitas com whey, biomassa de banana e sei lá mais o que. Acho que cada um sabe o que faz com o próprio corpo e não tenho nada a ver com isso.

Mas, hoje de manhã, um perfil no Instagram chamou a atenção de muita gente: Uma menina de nove anos que descreve a conta como “A primeira blogueira fitness infantil“.

Aí eu paro e penso como a nova “onda”, na verdade, é uma neura praticamente genética. Os pais tem medo de ficarem gordinhos ou flácidos, tem um vício em malhar, e passam essa mesma fobia para a menina que nem terminou de desenvolver o corpo.

Como isso pode ser saudável? Em que mundo? Não no meu. Criança deve ser criança. E gostar de sê-la. O “adultismo” é consequência de pais sem essa percepção.

A mãe da Anna respondeu no Instagram, dizendo que a menina não carrega pesos e vai a academia só para acompanhar o pai, que é educador físico. Ela também avisa que os exercícios foram adaptados para a idade da “blogueira” e que ela é, sim, uma criança com uma rotina apropriada.

Mas, deixar a menina se promover como “primeira blogueira fitness infantil” pode ser um incentivo perigoso para ela e para quem a segue (mais de 3 mil, viram ali?). Quantas crianças e pais vão querer acompanhar esse modelo da Anna? E quantos terão o cuidado de “adaptar os exercícios conforme a idade”?

Treino infantil, para mim, seria: 1 hora jogando Bets na rua. 30 minutos de amarelinha. 30 minutos brincando de pega-pega (pode ser queimada também). Claro, nada disso aconteceria sem os 40 minutos iniciais de dever de casa.

O segundo dia de treino seria mais light (novamente, só depois dos 40 minutos de dever de casa. Esse não é negociável): 30 minutos pulando elástico. 1 hora brincando de esconde-esconde. 30 minutos andando de bicicleta ou patins. Para encerrar, 1 hora de lego, boneca ou hot wheels.

Outras atividades também dpodem ser acrescentadas, como: Aula de idioma, natação, escolinha de futebol, aula de dança, de pintura, de desenho, de tênis, basquete, vôlei. Brincadeiras criadas a partir da imaginação infantil também são válidas e indicadas.

Recomendação importantíssima: A presença dos pais em, pelo menos, uma das atividades (a escolher) é obrigatória. Não, não é para supervisão. É para participar.

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