Não é que eu queira saber de você, mas acontece. Sempre tem o amigo do amigo que deixa escapar como você está e eu… Ah, eu só finjo que não ouvi ou que não me importo, mas seu nome faz o meu coração acelerar. É, você continua fazendo isso comigo.

Sei que você continua fazendo aulas de piano naquela escola de música em frente à nossa praça… Será que já consegue tocar Danúbio Azul? Será que você ainda se irrita com as partituras? Queria ouvir você tocar mais uma vez.

Seu irmão vai casar. Recebi o convite,só que não irei, obviamente. Mas já posso ver você no vestido rosa de madrinha que me mostrou no dia seguinte ao noivado. Aliás, rosa, não. “Magenta”, como você bem me corrigiu. E eu não preciso que ninguém me diga que você continua sensível em situações assim. Leve lenços e use maquiagem a prova d’água.

Outro lembrete que independe da informação de terceiros: você continua sendo mais linda de cara limpa.

No final de semana, você não sabe, mas fomos para a mesma balada. Quando entrei, você já estava lá dentro – meus olhos devem ser treinados a te achar em meio às multidões. Como pode? Dei meia volta no mesmo instante. Virei só para uma última visão sua e o que vi foi arrebatador: Você continua me enlouquecendo quando dança, sem se importar com os cabelos bagunçados e sorrindo com a alma.

Na saída, vi seu carro. Dei uma espiada rápida e notei que você esqueceu o rádio ligado. Quase voltei para te avisar, mas quão estranho seria isso? Preferi deixar como estava e ri sozinho porque, pelo visto, você continua sendo avoada.

Cacete, como eu odeio ter conhecimento dessas coisas. Saber tudo isso, mesmo que acidentalmente, é fatal.

Eu preferia que você não existisse mais para mim, porque dói saber e não poder fazer parte. Tô tapando os ouvidos para tentar desviar disso tudo… Dos seus feitos, das suas novas e antigas manias, do seu jeito, das suas conquistas que perdi de ver.

Me dói o fato de que você continua e de que eu já fui… Sei lá para onde.

Comments

comments

Powered by Facebook Comments