*Texto da leitora Gabriela Mendes

É, você já não está mais em mim.

Não há nada mais em mim que me faça lembrar de você. Não frequento mais os restaurantes que a gente ia. Sua foto já não está mais no fundo de tela do meu smartphone. Nossa música preferida já não me toca mais (e eu ouço ela sempre). Nosso filme favorito passa na sessão da tarde repetidamente, fazendo com que os telespectadores enjoem facilmente – da mesma forma que o nosso amor nos causou enjoo. É, você já não está mais em mim.

Parei de dormir nas tardes de domingo. Parei de tomar açaí. E música eletrônica, ouço raramente – quando bêbada. Não curto mais chicletes de melancia. As minhas crises de enxaqueca passaram (por que será, né?!). É, você já não está mais em mim.

Em dois meses, eu retoquei a raiz do meu cabelo duas vezes. Eu parei de me preocupar com as suas críticas ciumentas que diziam que o louro não combina comigo. Não me lembro mais das nossas datas comemorativas – datas essas que eram só minhas, já que você não fazia questão de comemora-las. É, você já não está mais em mim.

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Não falo de você pras minhas “amigas-piranhas” (o melhor adjetivo que você usava pra elas). Não falo mais de você pros seus “amigos” (um dia você vai entender o porquê dessas aspas). Já não lembro mais do perfume que você usava. É, você já não está mais em mim.

A placa do seu carro, eu já esqueci. Como já esqueci também o seu número de telefone. Não desvio a minha rota diária só pra não ter que topar com a sua. Pelo contrário, continuo fazendo as mesmas rotas de sempre porque elas não me trazer lembrança alguma. É, você já não está mais em mim.

Voltei a malhar, a usar roupa curta, fazer terapia e ler os meus livros chatos. Ah, voltei a frequentar cinema também. As nossas alianças ainda estão no mesmo lugar onde você deixou, na rua. Por esses e vários outros motivos é que você já não está mais em mim… E faz tempo.

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