Quando eu andava em trevas e envolta de uma neblina espessa, você me achou. Seus olhos me encontraram no turbilhão de pensamentos raivosos e dolorosos que me dominavam. Quando o que eu mais queria era ser invisível ao mundo, quando o meu rosto não refletia mais no espelho, você me viu.

Eu não sei por que ou como… Não sei se você procurava alguém naquele limbo ou se notou acidentalmente um vulto na penumbra, mas o fato é que você e mais ninguém, me viu. E, mais importante, se aproximou sem se permitir amedrontar com a minha recepção meio hostil.

A verdade é que eu não pensava que poderia ser encontrada naquele ambiente. Eu me julgava estar, para sempre, perdida. Fadada a viver aquela realidade. E, quando eu já tinha aceitado o fato, você veio. Foi um choque. “Quem é você para contestar a minha nova concepção de vida?“. Ora, mas aquilo era apenas existir…

Não que eu não quisesse você ali. Mas eu já havia me convencido de que eu não merecia alguém ali comigo. Queria que aquele lugar fosse só meu, não por egoísmo, mas para poupar quem quer que fosse. Eu queria te proteger mesmo antes de saber que você vinha. Muito antes de saber que era você.


E, ao chegar pertinho, me senti nua tamanha a exposição perante os seus olhos. Você realmente me viu. Através da máscara de forte e além da minha tentativa em mostrar que eu estava bem, você me viu. E ali, me surpreendeu por decidir não voltar de onde veio. Saiu de lá o quanto antes…

Foi aí que eu percebi: Você não foi para ficar comigo, mas para me tirar de lá.

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