Lembrei de você hoje e, quer saber? Não doeu. Nem um pouquinho.

Você virou só mais um rosto, enfim. E isso resultou em leveza no meu coração. Você o deixava pesado demais. Ele não te aguentava, apesar de querer. E como foi bom ele ter, finalmente, se convencido de que não precisava carregar você como fardo.

Ele sentiu sua falta. Todo dia, toda noite. O vazio que ficou no seu lugar era doloroso, imenso, devastador. Necessário. Foi difícil ficar sem saber de você, do seu dia, do que te aconteceu no trabalho e o que iria fazer no final de semana. Não saber quase o levou à loucura.

O coração sofreu com a saudade. Te amou mais por um tempo e te odiou muito depois. E então, passado tudo isso, ele parou de sentir. Se acostumou com a sua ausência e o vazio deixou de incomodar. Como tudo na vida, você também passou. É como aquele medo infantil de fantasmas que um dia fica para trás. Você é o espectro que não me aterroriza mais.

A indiferença veio como anjo da guarda para acalentar e trazer a paz que eu tanto queria. E, graças a ela, não saber de você se tornou natural. Assim como não sei se existe vida em outros planetas. Não é algo que tira o meu sono, que me remói. É só uma pergunta que, para ser bem sincera, nem me faço muito.

Não saber como você está, na verdade, não me importa mais.

O que sei é de mim. E eu estou bem.

Para ouvir: Eu Esqueci Você – Clarice Falcão

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